__ Tchau. - Falei apenas. Ainda não sabia o que pensar dele... ainda não tinha sacado a dele... e realmente eu não podia continuar ali, não sem saber quem ele realmente era.
~ Você on ~
__ Você falou de mim? - Foi a primeira coisa que Maya me perguntou ao me ver no sábado de manhã.
__ Oi também. - Falei.
Maya entrou dentro da minha casa enquanto falava "oi" com um certo desinteresse.
Fechei a porta.
__ E então, minha pergunta... - Maya falou de certa forma impaciente e com expectativa.
__ Aham. - Respondi rápido, mas ela estava tão animada que nem percebeu.
__ E o que ele disse? - Maya perguntou.
Tentei enrolar enquanto pensava.
__ Não vai sentar? - Perguntei.
__ É grande? - Ela perguntou animada.
__ Talvez.. - Respondi. - Vou trazer um lanchinho pra comermos enquanto isso.
__ E então você vai falar? - Maya perguntou já ansiosa demais.
__ Sim. - Respondi. Enquanto estava na cozinha pensava em que falar pra ela... Ela teria um ataque se eu contasse que nem sequer mencionei a existência dela... mas eu estava ocupada demais fazendo coisas mais produtivas...
Demorei o máximo possível na cozinha.
__ E então? - Maya perguntou animada enquanto eu colocava o prato dos lanchinhos em cima da mesa de centro.
__ Não foi nada muito revelador... - Comecei já para deixá-la avisada. - Falei que você era uma grande amiga, companheira e que sempre estava do meu lado quando eu precisava...
Ela me olhou como se não acreditasse.
__ Só isso?
__ Não, tem mais... - Falei enquanto buscava desesperadamente por outras coisas. - Ele pareceu gostar. Ele disse que valoriza pessoas amigas e com qualidades que não sejam apenas estéticas... - Falei inventando. - Ele falou que não gosta muito da Perrie por causa disso, ela não parece ser uma boa pessoa. - Falei dessa vez usando da verdade. Malik havia dito isso, embora em outras palavras, mas ele disse.
Maya sorriu e um alívio tomou conta de mim.
__ Ele disse que não gosta da Perrie? - Ela perguntou animada.
__ Não gosta muito. - Dei ênfase à palavra. - Ela só se importa com estética... - Falei explicando, caso contrário Maya surtaria.
__ Sim, mas o que mais ele falou sobre mim? - Ela parecia tão animada... era tão ruim ter que mentir para ela... Isso me fez jurar interiormente que, se o Malik não se mostrasse um troglodita completo, eu ia sim falar dela pra ele, seria o mínimo por agora estar mentindo para Maya.
__ Ele falou que você parecia ser uma pessoa interessante. - Dei ênfase à palavra pra mostrar que era uma coisa ótima.
Maya parecia que ia pular.
__ E o que mais? O que mais? - Ela perguntou pulando no sofá como se fosse uma mola.
__ E que um dia ele ia achar legal te conhecer. - Soltei, mas me arrependi segundos depois.
Maya deu um gritinho abafado e histérico. Depois disso me abraçou e disse: Mal posso esperar!
Sorri tentando esconder dela a preocupação, acho que Maya estava tão eufórica que nem sequer percebeu. E foi nesse clima que ela deixou a minha casa. Feliz e pulando, gostei de vê-la feliz, não gostei foi da minha atitude de ter mentido para ela. Mas se eu tivesse contado a verdade...
~terça-feira~
O resto do final de semana passou correndo, mal tive tempo de aproveitar os meus pais. Meu pai até cancelou uma viagem pra ficar comigo e com a minha mãe em casa, e nós três nos deliciamos assistindo
alguns filmes ultrapassados e comendo pipoca.
Esse era um final de semana que se repetia a mais ou menos a cada dois meses, às vezes se passavam três, mas isso não importa. Não importa o quanto os filmes que assistimos são ultrapassados. Não importa a primeira pipoca ter queimado e eu e minha mãe termos a colocado no lixo e feito outra que ficou de longe uma gororoba gordurosa. Não importa eu não sair de casa ou fazer compras no shopping.
Só o que importa é que eu estou com meus pais, nos divertindo e felizes. E esses momentos se tornam cada vez mais raros conforme a multinacional do meu pai cresce e o trabalho de decoradora renomada da minha mãe avança.
Olhamos o filme e fomos nos deitar tarde no domingo, ficamos conversando sobre coisas banais que nem tinham importância, mas aquele momento era de importância única na minha vida. Minha família reunida e feliz à minha volta.
__ Hoje, o que você vai fazer de tarde? - Perguntou Shana. - A gente podia dar uma ida ao shopping, sabe minhas roupas estão ficando velhas...
__ Oi! - Maya exclamou com animação juntando-se a nós no almoço. - Perdi alguma coisa?
__ Sim, - Chris começou. - Eleanor Calder e Louis Tomlinson estão saindo. Dá pra acreditar?
Essa eu não sabia. Me lembrei de Eleanor, número três da pirâmide. Cabelos perfeitamente cacheados e sorriso branco... O mais lindo que eu já vi na verdade. E Louis Tomlinson, ele não era feio, era bastante bonito na verdade, mas era dez na pirâmide...
Estava mais do que claro que Eleanor estava abrindo mão de uma boa posição na pirâmide, mas eu duvidava que mais alguém, principalmente com capacidade de ser um, fizesse isso.
__ Nããão... - Maya falou exageradamente e se sentou à mesa. - Desde quando? - Ela parecia curiosa.
__ Parece que já faz um tempinho, mas ontem eles foram pegos se beijando na frente daquela pizzaria que a gente comemorou a aniversário da Chris. - Shana explicou.
__ Não creio! - Maya estava de novo fazendo seu escândalo. E mais uma vez sem necessidade... Isso era outra coisa que me incomodava nela, mas deixei passar...
Toquei a campainha e esperei que abrissem. Depois de alguns segundos ele abriu e ficou analisando meu rosto, não disse para eu entrar, mas saiu da frente. Eu entrei e ele continuou olhando para mim. Incomodada olhei ao redor. A casa parecia igual desda outra vez que eu tinha a visto.
Olhei para ele de novo e ele continuava me olhando, sem pensar duas vezes, perguntei:
__ Algum problema? - Não fiz questão de soar educada ou amigável.
Ele riu de mim.
__ Não. - Ele falou apenas e continuou me encarando.
Respirei fundo, mas ele parecia me achar divertida.
__ Malik, por favor pode parar de ficar olhando pra mim? - Tentei soar ríspida, mas pareceu mais um pedido.
Ele riu e se descontraiu, mas não tirou os olhos dos meus.
__ Eu estava tentando descobrir com qual humor você estava hoje, geralmente eu fico confuso... - Ele deu uma pausa pensativo. - Você está muito bem em uma hora, mas depois muda totalmente de humor... Estava preocupado pensando que você podia ser bipolar. - Ele falou sério a última parte, mas a diversão e o sorriso continuavam nos olhos dele.
__ Quê...? - Consegui perguntar só.
Então ele mudou totalmente de expressão e ficou simpático, risonho, como sempre tinha sido, como se nada tivesse acontecido e pediu para que eu o seguisse até o quarto dele.
__ Você é maluco. - Constatei quando passei pela porta do quarto dele.
__ Você é maluca. - Ele falou rindo já sentado à frente do computador.
Tentei me acalmar.
__ Somos dois malucos. - Ele concluiu olhando para mim, sorriu e se voltou ao computador de novo. - Em que ponto paramos?
Eu nem sabia o que falar. Como assim Somos dois malucos?
__ Ah! Claro, na segunda batalha. - Ele mesmo respondeu à própria pergunta.
Eu estava mesmo acreditando que ele era maluco, mas ele me chamar de maluca, isso era demais!
Achei que a melhor opção era ignorar, e foi isso o que eu fiz, fingi que os últimos sete minutos não tinham acontecido. Em vez disso me sentei na cama e voltei toda a minha atenção ao resumo que eu estava fazendo.
Depois de vinte minutos ele falou:
__ Está tudo bem? - Olhei confusa na direção dele, mas era óbvio que ele só queria atenção. Então o ignorei e voltei ao trabalho.
Ele riu apenas, mas de forma desapontada.
__ Esperava que fosse me entender... - Ele parou de falar. Continuei tentando me concentrar no trabalho. - Sabe, eu estive imaginando se você pensou no nosso assunto do outro dia.
Parei abruptamente de escrever. Não pude ignorar isso, não pude ignorar a forma como ele disse nosso.
__ O que você quer? - Perguntei olhando diretamente nos olhos dele.
__ Que bom saber que você ainda fala! - Ele falou rindo.
Balancei a cabeça e me repreendi mentalmente. O que eu estava pensando? O Malik era pior do que eu tinha imaginado. Ele era persuasivo, manipulador, falso e mentiroso. E provavelmente também quer me fazer de louca. Eu nunca devia ter pensado a respeito do tal assunto que ele acabara de mencionar.
Eu já sabia a verdade. Eu sabia quem era o herói. E principalmente eu sabia quem era o vilão.
__ Me desculpe! - Ele falou rapidamente. - Eu só não sei como começar...
Continuei o ignorando, torcendo para que as três horas remanescentes passassem de pressa. Não sei o que faria tendo que aguentar o Malik por mais algum tempo.
__ Olha, - eu notei pelo tom de voz dele que ele estava sério, toda a brincadeira tinha sumido. - eu não sei exatamente o porque de eu me importar tanto com isso, mas eu preciso saber da sua opinião ao meu respeito. Eu preciso saber se acredita em mim.
Parei estupefata. Eu não sabia mais o que dizer ou o que fazer. Como assim ele precisava?
Então me lembrei do que eu tinha pensado dois minutos atrás. Eu sabia quem ele era. Uma raiva me tomou.
__ Olha bem aqui, Malik! - Falei ríspida colocando toda a raiva para fora. - Eu estou cansada de ser amistosa.
"Amistosa?" Ele murmurou.
__ Não me interrompa! - Falei rígida, meu tom de voz impressionou a mim mesma. - Eu sei exatamente porque você se importa com a minha opinião, é da mesma forma que você se importa com a opinião de todo mundo! É uma coisa normal pra quem é o "um". - Falei fazendo aspas com os dedos. - Porque você precisa que as pessoas gostem de você pra continuar no seu posto medíocre. - Disparei.
Depois disso fiquei quieta. Respirando rápido e ainda um tanto desequilibrada.
Ainda estava tentando me acalmar quando o Malik também disparou pra mim:
__ Mas se eu não me engano, sexta-feira você mesma disse que daria tudo pra ser a "um". - Ele imitou o meu gesto com os dedos.
Fiquei sem palavras, eu não podia negar, era verdade. Uma maldita verdade! Eu realmente disse aquilo, eu realmente desejo aquilo!
Nem creio mais em mim, não entendo mais. O Malik tinha razão, eu era uma duas caras.
O pior de aceitar esse fato, nem era mesmo que eu era o tipo de pessoa que eu mais odiava, mas era ter que admitir que o Malik estava certo.
Respirei fundo e me voltei de novo aos meus cadernos.
__ Muito madura! - Ele falou sarcástico, amargo. - É uma forma bastante covarde de lidar com os problemas. - Vi de canto de olho ele olhar pro teto e continuar com o mesmo sorriso. Então o olhar dele recaiu em cima de novo e dessa vez eu o encarei. - Agora eu entendo porque você defende tanto o Rei George!
Ele estava certo, mais uma vez! Eu não queria dar mais razão a ele, e não ia permitir que insultasse outro Herói meu, de novo.
__ Malik, - Falei me levantando e o encarando cara-a-cara. - sabe de uma coisa: eu não consigo acreditar em você. Realmente, eu estava ignorando você porque não merece o meu esforço ou ao menos a minha atenção. Mas eu percebi que não é mesmo uma forma muito madura de lidar com isso, afinal de certa forma eu estava me rebaixando, mas é claro que a convivência com você nunca vai dar certo. Me desculpe, mas não consigo mais olhar na sua cara, com licença. - Terminei de falar e percebi o rosto atônito do Malik.
Soquei as minhas coisas na mochila e coloquei nas costas.
Estava passando pela porta do quarto quando senti a mão do Malik envolta do meu braço.
__ Me desculpe, eu não quis... - Ele disse,. mas eu nem ao menos me virei para olhar pra ele. Continuei olhando para a escada na minha frente, como eu tinha acabado de dizer, ele não valia o esforço.
__ Não, você está certo. - Continuei com o meu sorriso sarcástico. - Eu não estava sendo madura quando realmente pensei que poderia superar minha aversão a você, mas eu estava seriamente enganada.
Puxei meu braço, mas o Malik não soltou. Finalmente me virei para ele e notei seu olhar deprimido. Ele abriu a boca várias vezes numa tentativa falha de se explicar, ou sei lá o que, mas não saiu som algum além do som de desagrado.
__ Você está me machucando - menti, na verdade a mão dele só levava calor ao meu braço em um enlace firme, não forte. - Me larga. Seja você maduro.
__ Não sou maduro. - Ele falou apenas e continuou a me encarar. - Sobre o que eu disse hoje, eu só queria... bem, não é tudo verdade, é só que... eu queria que você me notasse.
Eu fui pega de surpresa.
__ Como assim? - Perguntei sem entender.
__ Olha eu posso me explicar, mas você vai ter que me aguentar por mais algum tempo. Está pronta para esse sacrifício? - O tom brincalhão tinha voltado à voz dele, mas não a ponto de disfarçar o suficiente a dor que ele tinha na voz, e nos olhos...
Nenhum comentário:
Postar um comentário