sábado, 9 de agosto de 2014

Choose the Perfect Love - Capítulo 6

__ Olha eu posso me explicar, mas você vai ter que me aguentar por mais algum tempo. Está pronta para esse sacrifício? - O tom brincalhão tinha voltado à voz dele, mas não a ponto de disfarçar o suficiente a dor que ele tinha na voz, e nos olhos...

~ Você on ~

O segui de volta até a cama, mas dessa vez, ele sentou ao meu lado.

__ Me desculpe. - Ele disse. - Sobre o que eu disse, não foi muito educado da minha parte, é só que... você me tira do sério!
Eu comecei a rir, mais de surpresa do que outra coisa. Talvez por causa da ironia também.
__ Eu? Eu tiro você do sério? - Perguntei ainda rindo.
Ele sorriu fraco.
__ Pois é. Você... eu não queria ter que dizer isso de novo, mas eu me importo com você, não sei bem o porquê.
De novo? Eu acho que ele tinha dito isso um pouquinho diferente... mas tudo bem.
__ Sua vez. - Ele disse.
__ Como? - Perguntei. Minha vez? Como assim? Ah não! Ele realmente não esperava que eu fosse pedir desculpas pra ele, não é mesmo, isso ia contra os meus princípios, e além.
Mas eu o tinha magoado... eu não queria fazer isso com uma pessoa, nem que essa pessoa fosse o Malik. Eu tinha prometido a mim mesma que pelo que dependesse de mim, eu ia impedir que as pessoas se sentissem mal. E também tinha toda aquela história de seguir o certo...
Acho que até o Malik pôde ouvir a batalha de ideias dentro da minha cabeça, no final decidi ser franca, ou quase isso. E quanto ao resto, bem... pedir desculpas era, realmente, o mínimo a fazer. E não podia negar que o Malik estava sendo legal. Ele tinha chegado a pedir desculpas por uma coisa em que ele tinha razão.
__ Desculpa. - Falei. - Bem, eu não devia ter dito aquilo, e eu não devia ter gritado com você. Principalmente dentro da sua própria casa. Me desculpa é que... você me tira do sério! - Falei rindo a última parte. Repeti exatamente o que ele tinha dito, eu sentia exatamente o mesmo a respeito dele que ele sentia por mim...
Esse pensamento me fez querer me bater. Eu sentia alguma coisa em relação ao Malik, só não sabia o que. Mas o pior era saber que ele estava na mesma situação em relação a mim. O Malik sentia alguma coisa em relação a mim... Argh!
__ Tudo bem agora? - Ele perguntou e eu assenti de leve. - Acho que devíamos voltar ao trabalho, perdemos tempo precioso, mais ou menos uns quinze minutos. Bem acho que está óbvio que não vamos terminar isso hoje, nem com toda a esperança do mundo.
Ri dele.
Ele riu também.
Me lembrei de algo que ele tinha dito logo que eu cheguei, e não sei porque, senti necessidade de explicar.
__ Sobre aquilo, que você disse, de eu ser bipolar... é só que eu estou realmente confusa... e você... eu não sei o que pensar de ti. - Confessei e senti minhas bochechas rosarem.
__ Eu entendo. - Ele falou parecendo envergonhado com ele mesmo. - Eu estava brincando...
Com um olhar mudo, e o ambiente carregado de constrangimento das duas partes, voltamos ao trabalho, calados.
Sem falar nada, depois de uma hora, o Malik se levantou e desceu as escadas, fiquei confusa até ele voltar com um prato de sanduichinhos e dois copos de suco que pareciam ser de laranja.
__ Hora do lanche! - Ele falou rindo.
Comecei a rir também.
__ Comer no quarto? Nesse quarto tão organizado? Isso seria um pecado! - Exclamei rindo.
Deixei-me rir. Pensei mentalmente que uma trégua seria a melhor opção.
__ Talvez pudéssemos ir para a sala, tem razão, é melhor não arriscar.
Rindo ele me deu um leve puxão pelo braço e seguimos até a sala, enorme, da casa dele.
A sala, era de longe, tão bem organizada quanto o quarto do Malik, mas é claro, o Malik ligou a TV e deixamos a mente relaxar...
__ Sabe, o que você gosta? - Ele perguntou indicando a TV.
__ Qualquer coisa. - Respondi, seguindo o exemplo do Malik, peguei um sanduichinho.
Ele colocou em um canal qualquer e se virou pra mim, aproveitei para perguntar:
__ Eu acho que também não é uma boa coisa comer na sala, tipo, ela está muito organizada... Sua mãe talvez vá ter um ataque. - Falei.
__ Não, sem problemas. - Ele falou rindo. - Eu sou o arrumador compulsivo da família.
Ergui uma sobrancelha e ele explicou:
__ É, eu gosto das coisas organizadas. Minha mãe não se importa muito, também tem uma empregada à disposição dela. - Ele riu. - E principalmente eu.
__ Você? - Ri também.- Tem mania compulsiva de organização? Quem diria! - Exclamei.
Então o rosto dele ficou sério.
__ Pode me fazer um favor?
__ Que favor? - Perguntei.
__ Por favor não conta nada pra ninguém do que eu acabei de ti dizer.
__ Ah. - Falei só. O sorriso também abandonou meus lábios. Não sei porque fiquei tão decepcionada ao saber que o Malik ainda se importava com a opinião dos outros. Eu não ia falar nada disso, talvez pra Maya, se ela me pressionasse muito...
A Maya! Tinha me esquecido dela outra vez! Mas como eu ia puxar o assunto?
Sabe Malik, eu tenho uma amiga que alimenta uma espécie de paixão platônica por ti, sabe, o nome dela é Maya. Gostaria de conhecer ela, por favor? É que eu já disse pra ela que você gostaria de conhecê-la, sem você ter dito realmente, mas sabe, eu tinha prometido pra ela... Então, quebra esse galho pra mim, mesmo depois de eu ter sido insuportável e ter deixado claro que não gosto nenhum pouquinho de você?
É, isso não poderia ser.
__ O que foi? - Malik perguntou com olhos um tanto intensos.
__ Nada. - Menti. E então veio como uma luz brilhante na minha cabeça. Era o assunto que eu mais queria evitar, mas eu devia isso à Maya, e eu ia ter que me sacrificar por ela.
__ Pensei, - Comecei devagar. - que o Liam fosse seu amigo...
Parei por aí. Não conseguiria falar mais nada. Minha voz saiu um pouco mais que um sussurro, e me admirei de ela ter saído. Malik fez uma cara de compreensão.
__ Ah! - Ele disse. - Mas ele... ele é meu amigo! Mas, eu queria que você soubesse a verdade.
__ Mas você disse que ele era... o mau. - Enfatizei a palavra. - Que não gostava do que ele fazia.
Sem querer eu tinha começado a conversa que eu não queria ter, e não saí dela. Continuei. A verdade era que estava realmente curiosa para saber, eu realmente queria ver o lado dele. Eu queria.
__ Eu disse que o que ele fazia era errado, que eu não concordava, mas eu não disse que ele era mau! Eu gosto dele, ele na verdade, é o meu melhor amigo! - O Malik falou meio surpreso.
__ Mas você fez a caveira dele! - Exclamei. - Se não gosta do que ele faz como pode ele ser o seu melhor amigo?
__ Não foi isso! - Ele exclamou exasperado. - É só que... o Liam erra em algumas coisas... mas em outras, bem, ele é... um grande amigo, ele também tem as qualidades dele. Eu sei que acima de tudo, ele vai estar sempre lá quando eu precisar, ele nunca vai me abandonar nos momentos mais difíceis. Ele pode não ser legal com... alguns, mas comigo... ele é um grande amigo.
Balancei a cabeça.
__ Alguns? - Perguntei incrédula. - Alguns?! Que alguns?
Ele suspirou fundo.
__ Você sabe.
__ Não, não sei. - Disse quase exasperada.- Eu não sei se posso acreditar em você, inverter tudo no que eu realmente acreditei até agora por causa que... você disse que tudo o que eu acreditei a minha vida toda estava errado!
O Malik olhou bem no fundo dos meus olhos.
__ Eu não posso cobrar nada de você, mas queria que me ouvisse... é só que, você se nega a enxergar o que está na sua frente! Se você realmente prestasse atenção nas coisas...
__ Malik! - Eu o interrompi. - Não venha mais dizer no que eu devo acreditar que...
__ Me escuta! - O Malik me interrompeu. - Eu sei que não posso, mas me escuta!
Balancei a cabeça.
__ Eu sempre te escuto, mas tu nunca pode me ouvir, não é? - Elevei minha voz.
__ Eu?! Eu estou sempre tendo que implorar que você me escute, mas você nunca parece afim mesmo de ouvir o que eu tenho para falar, é como se entrasse por um ouvido e saísse pelo outro.
__ Como te ouvir? - Perguntei. - Você não pode se queixar! - Adiantei. - Sempre que... me implorou - fiz aspas com a mão. - eu te ouvi. Deixei você falar, mas a verdade é que eu não confio em você. Eu dou chance de você expor o seu ponto de vista, mas como você disse, eu não sou obrigada a concordar!
__ Verdade, não é. Nem concorda. - Ele falou deprimido olhando para as mãos em seu colo. - É que eu pensei que talvez você entendesse, sei lá. - Um sorriso nenhum pouco feliz apareceu em seus lábios. - Pensei que talvez conhecesse alguma pessoa que também fizesse as coisas da forma errada, pois não sabe o que realmente é certo. Bem, pelo menos o Liam é assim. Ele não sabe exatamente o que é o certo, é só que... ele insiste em fazer o errado. E o pior é que ele defende de unhas e dentes a ideia dele, na verdade eu acho que ele é ingênuo demais para entender. Eu só... tento ajudar e aconselhar ele.
__ Eu entendo. - Me surpreendi ao ouvir as palavras saindo da minha boca e ainda mais quando a minha mão afagou o braço do Malik, mas continuei. Tinha chegado aonde eu queria. Pelo menos se o Malik gostava do Liam, que era o seu melhor amigo, problemático dessa forma, que mal haveria com Maya? - Eu entendo perfeitamente. Maya também é assim. - Olhei bem pra ele, ele também olhou para mim. - Ela não sabe diferenciar o certo do errado. Já perdi as contas de quantas besteiras ela já fez e que eu tive que consertar, ou das vezes que ela ficou no quarto chorando comendo doce de leite e olhando filmes idiotas todas as vezes que um badboy partia o coração dela e eu a consolava. - Ri da história, da minha história. - Mas sabe, eu também sinto que posso contar com ela sempre que eu precisar, apesar de todas as idiotices que a Maya faz e apesar de ela ser um pouco má às vezes também, eu sei que sempre posso contar com ela, ela sempre vai estar do meu lado.
__ Eu sabia que ia me entender... - Um sorriso brincou nos lábios dele.
Então ele parou um momento um pouco pensativo.
__ Eu sou um badboy, não é?
__ De certa forma. - Respondi. - Quer dizer, é a imagem que você passa pros outros.
__ Você disse que a Maya chorava com o coração partido por causa de badboys... - Meu coração quase parou. Não podia ser, não assim tão fácil pelo menos. - Eu acho que eu quebrei o coração de algumas garotas também. - Ele terminou.
Meu coração parou de novo, ao mesmo tempo que sentia um alívio senti um pânico, eu tinha entendido mal, ele não estava se importando com a Maya como eu pensei, mas pelo menos ele sabia o nome dela, ele estava preocupado com as outras garotas, as que ele fez sofrerem trancadas em seus quartos com um coração partido de presente.
__ Eu me sinto mal com isso, mas não era a minha intenção. Eu acho que talvez eu fiz a coisa errada. - Ele sorriu ironicamente.
__ Depende, - falei. - depende da forma como terminou com elas. Os badboys com que Maya saía geralmente, às vezes, nem chegavam a terminar com ela, ela apenas os via de amaço com outras garotas por aí.
Ele deu um sorriso triste.
__ Talvez eu não tenha sido muito melhor.
Apenas suspirei. Eu quase pude sentir o que o Malik sentia... remorso. Ele não queria realmente que as garotas sofressem por causa dele, mas talvez ele não soubesse como elas se sentiam, como pensavam que ele era delas mesmo depois de uma única ficada, e depois o viam na maior intimidade com outra. Ele não sabia como elas perdiam o chão, o ar, a alegria e principalmente, o ridículo sentimento de serem únicas na vida dele.
__ Eu realmente não queria magoá-las. - Ele falou por fim.
__ Eu sei.
__ Sabe? - Ele perguntou rindo, mas eu via a dor nos olhos dele.
__ Talvez você não entenda, na verdade, eu não entendo, mas eu sei como você se sente. Talvez eu também tenha sido uma badgirl sem querer.
__ Você? - Ele perguntou surpreso, mas sorrindo. - Não acredito!
Balancei a cabeça.
__ Eu também não fui muito legal com alguns garotos, eu não sei lidar muito bem com isso. Não creio que eles tenham ficado trancados em seus quartos, mas não acho que eles tenham ficado muito felizes quando eu dei um pé na bunda deles.
O Malik riu.
__ Talvez você saiba mesmo.
Agora eu sabia o porque do meu alívio, era um alívio de saber que eu não estava sozinha nas super cagadas master! Para detonar com o coração de uma pessoa inocente!
Não era um sentimento bom, mas era reconfortante saber que alguém sabia como eu me sentia. Que alguém também sentia remorso. Não goste do meu pensamento egoísta, mas fazer o que, ele estava lá e nada que eu fizesse ia tirar esse sentimento de compreensão e até de compaixão que eu estava sentindo pelo Malik agora.
Estávamos perdidos em nossos pensamentos, a TV ainda estava ligada, mas eu sabia que o Malik também não estava prestando atenção nela, quando a campainha tocou.
O som nos despertou de nossos devaneios.
__ Já volto. - O Malik murmurou enquanto se levantava para atender a porta.
Fiquei observando o suco chacoalhar nos copos por causa do movimento dele ao se levantar, até ouvir a voz do Liam.
"Oi" foi o que eu ouvi, e depois um "estou meio ocupado" e outro "duvido que seja mais importante do que o meu problema" e foi só o que eu consegui pescar da conversa agitada até o Liam irromper pela sala.
Ele ainda falava alguma coisa quando reparou em mim, dois segundos depois, e então gritou com uma mescla de raiva e ódio:
__ O que ela está fazendo aqui?! - Senti a repugnância na voz dele quando disse isso.
__ O que? - Malik perguntou aparecendo na sala instantes depois, então o olhar dele recaiu sobre mim também. - Ah. - Ele disse compreendendo, mas com um olhar triste.
__ O que é que ela está fazendo aqui? - Liam tornou a perguntar, mas dessa vez em tom normal e voltado para o Malik, não para mim.
__ Nós temos um trabalho para fazer juntos de história. Caso você não se lembre, você estava lá quando sortearam as duplas. - O Malik disse, talvez um pouco impaciente.
__ Vocês não estão fazendo um trabalho. - O Liam gesticulou para a mesa de centro na minha frente onde estava o nosso lanchinho. E depois em volta pra mostrar que não tinha nada com que desse para fazer um trabalho de história. - A não ser que fosse algum outro tipo de trabalho. - Ele disse e eu senti a maldade na voz dele. Os olhos de Malik ficaram furiosos, mas quando ele falou a voz dele estava calma:
__ Estava na hora do lanche.
__ Sei. - O Liam falou irônico.
Eu não me mexi, não falei nada. Não podia acreditar, não conseguia acreditar que o Malik estava certo. Talvez eu tivesse que realmente me enganado em relação à quem era o herói e quem era o vilão. Mas o pior de tudo, era que ele nem tentava disfarçar. Estava tudo ali. E estava tudo voltando na minha cara, porque ele estava ali me tornando uma idiota infantil toda a vez que falava e a cada olhar de ódio, raiva e repulsa. Todos destinados a mim. Eu não acreditava que eu fui todo esse tempo enganada! Enganada por mim mesma! O Malik estava falando a verdade, e agora eu me sentia uma tremenda idiota!
__ Liam, talvez você queira voltar outra hora... - O Malik começou a falar ignorando o comentário maldoso do Liam.
__ Ah! Me desculpe estar incomodando e interrompendo as coisas aqui! - Ele falou irônico. - Mas não posso permitir que o meu amigo seja enganado por essa vadia. - Ele cuspiu as palavras.
Fiquei irritada, ia contra minha ideologia ser chamada de vadia, mas eu ainda estava muito surpresa com o que estava acontecendo.
__ Você nem conhece ela! - O Malik falou perdendo a calma. - Ela não é uma vadia.
Então um sorriso assustador tomou conta do rosto do Liam.
__ Você já caiu na dela! Pobre de você! Essa piranha vai liquidar com você! Assim como o seu pai fez com a sua mãe! - Liam gritou.
Dessa vez isso realmente me surpreendeu. Não sabia nada sobre os pais do Malik.
__ Cala a boca! - O Malik gritou de volta para o Liam e os dois ficaram se encarando.
__ Tudo bem! - Liam falou com a cara amarrado, com ódio e... e... outra coisa, não consegui identificar o que exatamente.
Depois disso o Liam desapareceu de vista e instantes depois a porta da frente bateu.
Finalmente o Malik olhou para mim. Mas eu já estava de pé.
__ Desculpe por isso... onde você vai? - Ele perguntou confuso.
__ Tchau. - Falei e segui até a porta. Depois abri. Saí pra rua. Fechei. Caminhei. Continuei em frente. Um pé na frente do outro. Apenas assim. Ações banais, sem pensamentos. Não queria pensar. Minha cabeça estava doendo e girando. Não queria nada, só seguir em frente. E foi isso que eu fiz, segui caminhando em frente.

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