domingo, 10 de agosto de 2014

Choose the Perfect Love - Capítulo 7

~Você on~

__ Tem um alguém aqui que quer te ver! - Era a minha mãe na porta do meu quarto.
__ Diz que eu não tô. - Falei tentando estabilizar a voz. Me preocupei com a possibilidade da minha mãe entrar no meu quarto e me ver naquele estado: com o rosto manchado e vermelho. Eu já tinha tentando parar de chorar fazia uns dois minutos, mas eu sabia que eu ainda estava com uma aparência tenebrosa.
__ Ele insiste que não vai sair daqui enquanto você não falar com ele.
Ele? Quem é que estava aqui? Eu não queria falar com ninguém, mas fiquei tentada a saber quem seria esse ele.
Talvez minha mãe estivesse só inventando que tinha alguém para mim abrir a porta. Ela parecia preocupada, mas também não era para menos.
A filha dela tinha chegado em casa em um estado de torpor, mal falou com ela a não ser palavras aleatórias e sem sentido, depois subiu pro quarto e se trancou lá. Já fazia quase duas horas que eu estava lá trancada, imitando Maya sempre que terminava com um namorado dela. Mas isso era diferente.
Eu estava errada. Tinha estado errada a minha vida inteira. O meu herói era o vilão, e o vilão, bom eu não sabia quem ele era, mas com certeza, não parecia ser o vilão, de forma alguma.
__ Então pelo menos me deixe entrar. - Minha mãe falou.
Suspirei e marchei até a porta. Pelo que parecia, realmente não havia ninguém querendo me ver, era apenas um truque dela, mas eu tinha ouvido a campainha tocar...
Parei abruptamente com a mão na maçaneta da porta, alguma coisa me dizia para não abrir... uma vozinha irritante no fundo da minha cabeça, talvez.
__ Por favor Seunome! - Minha mãe implorou. - O que foi que ele te fez?
__ Ele? - Perguntei sem entender. - Ele, eu nem sei quem ele é, ele não me fez nada. Nenhum ele me fez nada. Quem é ele? Papai está aqui?
Eu ouvi ela suspirar.
__ Não, seu pai não está aqui, ele só volta amanhã.
__ Então quem é que está aqui? - Perguntei.
__ Saia do quarto e verá! - Ela disse esperançosa. É, realmente era apenas um truque dela. meu pai não estava, disso eu sabia. Viajando. Ele estava viajando, era assim que ele passava quase toda a vida dele agora. Mas quem estava lá. Quem queria falar comigo? Será que realmente tinha alguém? Ou era só um truque barato da minha mãe?
Cheguei até a pensar que talvez Liam estivesse aqui, aqui em casa, pedindo desculpas por tudo o que fez. Dizendo que tinha sido tudo um mal entendido, que ele ainda era o meu herói...
__ Desça quando quiser, mas logo de preferência, estamos te esperando na sala. - Minha mãe falou por fim. - Não o faça esperar muito. - E então eu ouvi os passos dela se distanciarem.
Uma parte muito louca da minha mente gritava que era o Liam quem poderia estar lá. Mas provavelmente não, era o que o resto das partes da minha mente gritavam. Acabei por arriscar, o máximo que poderia acontecer era a minha mãe estar sozinha na sala e me cobrar uma explicação, mas talvez fosse Maya, ou Shana, ou Chris quem estivesse lá.
Abri a porta e espiei para fora, o corredor estava deserto. Ouvi alguns murmúrios vindos do andar de baixo. Havia uma voz masculina misturados a murmúrios femininos, uma voz masculina que me era familiar.
Mais uma vez a vozinha louca dentro da minha cabeça gritou: Viu só? Provavelmente ele está aí, talvez tenha vindo pedir desculpas.
Desci as escadas cautelosamente. A TV estava ligada na sala, talvez os murmúrios tivessem vindo dela, mas muito possivelmente não.
Segui do pé da escada silenciosamente até a sala. Me deparei com a pessoa que eu menos esperava que estivesse lá em casa sentada no sofá ao lado da minha mãe. Os dois estavam olhando televisão, mas então os olhos deles recaíram sobre mim. Os olhos dele.
Não era o Liam.
Não era o meu pai.
Não era exatamente um amigo.
Mas ele estava lá.
Zayn Malik, estava na sala da minha casa, me olhando e me analisando com olhos aliviados, talvez por me ver, depois passaram a preocupados, talvez pela minha cara amassada e manchada.
Nunca esperei vê-lo ali.
__ Está tudo bem? - Minha mãe perguntou. Desviei o olhar até ela. Ela também apresentava certa preocupação, duvido que algum dia ela tenha me visto chorar assim, algum dia depois daquele dia. Talvez ela sentisse que os tempos negros estivessem voltando Mas a confusão nos olhos dela era eminente. O que aquele garoto estava fazendo lá? Quem ele era? Se a sua filha tinha dito que não existia nenhum ele que a fizera chorar, então quem era ele? E principalmente, por que ele se importava tanto com a sua filha a ponto de ameaçar a passar uma noite inteira na casa dela só para ver a filha dela? Quem era ele?
Bem eu também não sabia.
__ Malik. - Falei só. Um pouco baixo, mas forte, nem áspera nem amarga, talvez um pouco surpresa, mas decidida. Era assim que eu tentava ser, mas não estava obtendo mais tão bons resultados quanto antes.
__ Seunome. - Ele falou também. Um pouco baixo também, mas o seu tom era diferente, ele estava preocupado. Preocupado para saber como eu estava. - Como você está? - Ele perguntou se levantando.
Minha mãe se levantou também, mas saiu da sala. Nos deixando a sós. Um de frente pro outro, uns dois metros ou três de distância. Ao passar por mim, ela me deu um leve e discreto empurrão em direção ao Malik. Depois sumiu de vista. Mal ouvi os passos subindo a escada, provavelmente indo até o seu quarto. Mas eu também poderia dizer que era apenas coisa da minha cabeça.
Dei alguns passos em direção ao Malik, não era muito educado ficar tão longe. Ele também deu alguns passos em minha direção.
__ O que está fazendo aqui? - Perguntei, ainda meio surpresa.
__ Precisava saber como você estava. Você saiu tão atordoada lá de casa e... depois do que aconteceu não era pra menos... Me desculpa? - Ele me perguntou com olhos mel, derretidos como ouro.
__ Não foi culpa sua. - Falei, explicando principalmente.
E então toda a minha postura foi pelos ares. Caí sentada no sofá e meus olhos já embaçaram com novas lágrimas. O Malik foi rápido e se sentou ao meu lado. Ficou sem saber o que fazer lá só me olhando.
__ Eu fui tão estúpida! - Exclamei. - Eu devia ter ouvido você... eu... eu sou uma idiota! - E as lágrimas já caíam, quase jorravam.
Então ele afagou meu ombro carinhosamente.
__ Não foi culpa sua. - Ele falou apenas. Mas era, era óbvio que era. Era como ter levado milhares de tapas na cara. Eu estava errada o tempo todo, e defendia isso com unhas e dentes. Eu estava sendo igual a Maya e as manias infantis dela, igualzinha! Teimosa e idiota!
__ Foi sim... - Balbuciei entre o choro. - Eu devia ter ouvido você!
E então, antes que eu percebesse eu estava com a cabeça no peito do Malik e os braços dele estavam em volta de mim. Provavelmente a camisa dele já estava toda manchada das minhas lágrimas.
Não sei porque eu me entreguei ser tão frágil na frente do Malik, eu estava confusa e ele estava lá, então, o que mais eu poderia fazer? Eu estava detonada! Eu estava arrasada! Meu mundo estava desmoronando de novo! E eu estava tão envergonhada! E ali estavam os braços acolhedores do Malik que se abriram e me puxaram para junto dele para me acolher. Tão calorosos e... sinceros! Porque ele estava ali, ele estava ali por mim!
__ Eu sou uma imbecil! - Balbuciei com raiva de mim mesma. Minha voz saiu abafada, provavelmente por causa que o meu rosto continuava colado ao peito dele, encharcando a sua camisa, e o meu cabelo formando uma cascata protetora tentando tapar toda a vergonha que eu sentia naquele momento.
__ Shh. - O malik fez apenas e afagou as minhas costas. - Está tudo bem. Você sabe que não é verdade.
Eu não sabia. Eu tinha certeza que eu era uma imbecil! Uma idiota! A pessoa mais estúpida que podia haver! Acreditava nas coisas erradas!
__ Ele tem razão. - Falei contra o peito do Malik. - Eu sou uma vadia! - Minha voz mal saiu, mas o Malik ouviu.
Ele me afastou um pouco, apenas o suficiente para olhar nos meus olhos. Segurou firme em meus braços, não forte, mas firme.
__ Você não é. - Ele falou firme. - Você não é e não quero que pense nunca que é. Você é boa. Erra como qualquer pessoa, mas não é uma vadia! Nunca fez nada realmente para ele! O Liam está sendo um otário! Ele não tem o direito de falar isso de você. Ele não te conhece. Não sabe a garota maravilhosa e corajosa e forte que você é. Não dê ouvidos pro que ele diz, ele não sabe o que está falando.
Não consegui falar mais nada. O Malik estava sendo tão legal, tão bom... um verdadeiro amigo!
Ele me acolheu mais uma vez em seus braços e eu grudei meu rosto no seu peito mais uma vez. E ali ficamos em silêncio. Pouco tempo depois as lágrimas já pararam de cair, mas eu continuei ali, e o Malik continuou ali, e nós continuamos ali.
Existia um nós.
Eu sentia algo por ele.
Ele sentia algo por mim.
E existia um nós.
E talvez fosse uma amizade, uma grande amizade, uma simpatia, uma gratidão.
Depois de tudo o que eu fiz, depois de tudo o que eu disse, depois de todas as vezes que eu gritei com ele e o insultei, ele estava ali, do meu lado, me consolando, se importando comigo.
Agora eu sabia quem ele era. Ele era meu amigo. Ele era uma boa pessoa.
Ele era, talvez, um herói...
Depois de minutos, ou até uma hora talvez, já não sabia mais quanto tempo havia passado, o Malik afagou meu cabelo e sussurrou ao meu ouvido.
__ Está bem?
Assenti de leve contra o peito dele.
__ Quer jantar, você deve estar com fome. - Ele falou carinhoso e baixinho. - Soube que você estava com... - Ele parou nesse ponto, talvez decidindo se continuava. Estava claro que ele não tinha experiência em consolos. Ele acabou optando por falar. - algo tipo como um coração partido.
Suspirei.
Ele sabia.
Ele sabia o que eu sentia.
Ele sabia muito bem, ele me conhecia o suficiente para saber.
Como eu não falei ele continuou:
__ Mas parece que há uma diferença com você. - Eu pude sentir ele dar um sorriso. Um sorriso por me mostrar que eu era diferente. - Você não come doce de leite e nem assiste filmes idiotas.
Não consegui evitar de sorrir também.
__ Talvez eu seja fútil demais para isso.
Ele riu divertido.
__ Ora essa! Você é fútil? Então o que eu sou? Pensei que isso não fosse uma boa coisa para você.
__ Eu tenho defeitos. - Falei. Eu podia ainda estar sorrindo, mas era impossível não notar a pontada de dor na minha voz.
__ Mas tem qualidades. - Ele falou. e me afastou do corpo dele. Por um instante pensei que ele fosse fazer a mesma coisa que tinha feito antes, me segurar firmemente e dizer que eu era corajosa, forte e acima de tudo, uma garota maravilhosa.
Mas não.
Ele simplesmente iniciou um ataque de cosquinhas em mim.
__ Para! - Falei rindo.
__ Olha aí! - Ele falou parando de me fazer cosquinha. Sorrindo também e olhando, mesmo que longe, intensamente nos meus olhos. - Tem a risada mais bonita que eu conheço.
Sorri com o elogio.
__ Não é verdade. - Falei, mas eu ainda sorria.
__ Tem certeza que quer me desafiar? - Ele perguntou aproximando as mãos já em garras à minha barriga.
__ Não! - Falei rápido e nós dois caímos na risada.
E então minha mãe passou pela porta e entrou na sala. Sorrindo.
E então passou pela minha cabeça.
Aquela coisa!
Ela não tinha subido as escadas! Ela tinha ficado nos espionando o tempo todo! Esperando que eu enfim sorrisse e estivesse bem outra vez para aparecer!
__ Querem jantar crianças? - Perguntou carinhosa e feliz. Ela devia estar pensando que o Malik era meu amigo.
Bom, e não era?
Se ele fez tudo isso por mim, eu ainda sentia algum tipo de aversão em relação a ele?
Eu devia pensar muito sério nisso.
Mas eu já sabia a resposta...
Mas não queria pensar nisso.
__ Claro! - O Malik exclamou radiante para minha mãe. Garanto que a senhora é uma cozinheira de mão cheia! - Ele falou sorrindo simpaticamente. Era óbvio que minha mãe não ia resistir ao charme dele, ainda mais depois de ter feito tão bem à filha dela.
Agora eu sabia porque as garotas gostavam dele, não era apenas porque ele era um.
Ele tinha qualidades.
Ele tinha acabado de me provar isso.
E ainda por cima era irresistivelmente charmoso.
Garanto que ele fazia a maior com as mulheres mais velhas.
Devia ter experiência com as amigas da mãe dele.
__ Que isso! - Minha mãe falou meio envergonhada. Mas era óbvio que ela tinha dorado o elogio. Esse era o jogo dele!
Então seguimos ela até a cozinha. Minha mãe até fez menção de colocar à mesa da sala de janta.
Mas o Malik disse:
__ Espero que eu seja de casa, não gosto de muitos requintes. - E fez uma careta.
Nossa janta foi lasanha.
O Malik não perdeu tempo e a cada duas garfadas lançava um elogio à minha mãe que ficava toda derretida.
Depois do jantar a minha mãe não queria deixar, mas era impossível. Era o arrumador compulsivo o seu adversário.
__ Não, você não vai lavar a louça! - Ela falou numa última tentativa falha de fazê-lo desistir.
__ Duvido que a sua empregada lave uma louça melhor do que eu! - Ele falou com um sorriso encantador tirando os pratos da mão da minha mãe. - Deixe-me mostrar meus dotes.
Acabei por explodir em uma gargalhada e minha mãe sorriu feliz.
Acabei ajudando o Malik a lavar a louça, ele não podia negar a minha ajuda. Ele não podia negar nada a mim, e estava me aproveitando disso agora.
Depois de toda a cozinha arrumada, O Malik era compulsivo mesmo, lavou cada peça da louça duas vezes e ainda jogou água fervente por cima, lavou os guardanapos com desinfetante e "esterilizou" cada superfície da cozinha, inclusive o chão, era a hora da despedida.
Minha mãe não gostou muito de ter que já dar tchau para ele, ela não sabia qual seria a próxima vez que poderia vê-lo, mas ele dormir na minha casa era inaceitável, pelo menos pra mim era, a não ser que minha estivesse aprovando outras coisas...
Mas ela não poderia.
Então nos despedimos, o Malik como sempre agradável, prometeu que nos faria uma próxima visita logo e que, obviamente, ele disse, chamaria minha mãe para um jantar na casa dele.
E só assim, mas ainda meio relutante, minha mãe o deixou partir para casa dele.
Devo admitir que até eu não queria que ele fosse, mesmo que no dia seguinte eu fosse vê-lo na escola.
Depois disso tudo fui me arrumar para dormir, mas minha mãe bateu à porta do meu quarto, mas nem esperou resposta e entrou mesmo assim.
__ Garoto agradável. - Ela falou sorrindo. Era óbvio que ela o achava mais que agradável, mas ela não queria se entregar. - Ele também é muito bonito, um gato. - Ela sorriu, talvez um tanto maliciosa, se minha mãe já tinha chegado a esse ponto eu nem queria saber do resto do mundo.
__ Mãe! - A repreendi.
Ela riu, eu ri também.
__ Mas tem uma coisa que eu não entendo. - Ela falou pensativa. - O Zayn parece ser um bom rapaz, mas você insiste em chamá-lo pelo sobrenome, por que?
Parei para pensar um pouco, talvez eu soubesse, mas não era bom que minha mãe soubesse.
__ Não sei. - Falei.
Ela sorriu e olhou carinhosamente para mim.
__ Espero que esteja bem. - Ela disse como somente as mães conseguem dizer.
__ Estou. - Falei.
Ela me deu um beijo de boa noite e disse antes de ir dormir.
__ Ele trouxe suas coisas. - Me lembrei que na pressa de deixar a mansão Malik não havia pego minha mochila e meus cadernos que estavam no quarto dele. - Boa noite. - Ela terminou e sorriu. Saiu e fechou a porta.

Já estava deitada, não conseguia mais evitar, mesmo que tentasse com todas as forças, a visão da tarde de hoje voltava à minha cabeça, mesmo que a visita do Malik tivesse me feito bem, e eu já soubesse que ele era meu amigo, e não havia mais nenhuma aversão de minha parte quanto a ele, eu me lembrava das palavras duras do Liam.
Mas não posso permitir que o meu amigo seja enganado por essa vadia. 
Por essa vadia.
Essa vadia.
Vadia.
E essas palavras ficavam girando na minha cabeça e eu lutava contra as lágrimas.
Mas eu não podia me deixar vencer, eu não ia.
Mesmo que eu ainda estivesse muito confusa, eu sabia que o Liam não merecia minha lágrimas emeus esforços.
Acabei me lembrando de uma coisa que eu havia dito ao Malik em uma discussão e acabei não conseguindo evitar que uma lágrima caísse.
Uma lágrima solitária, mas que expressava tudo o que eu estava sentindo, uma dor horrorosa e consumidora, entrelaçada no meu coração. A dor e a sujeira de ter sido enganada e não ter dado ouvidos à verdade. A dor de ser uma tremenda idiota! A dor silenciosa que me corroía por dentro... Mas que fosse a última vez e nunca mais!

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